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Um deserto de ideias no pleito de 2018

Um deserto de ideias no pleito de 2018

Se um país é regido pelos princípios da razão, a pobreza e a miséria são objeto de vergonha. Se um país não é regido pelos princípios da razão, a riqueza e as honras são objeto de vergonha. (Confúcio, Século V a. C.)

No caminho das eleições presidenciais no Brasil em 2018, o que se observa objetivamente são candidatos que desconhecem ou fingem desconhecer a realidade brasileira atual. A crise atual é de legitimidade do processo de escolhas partidárias que relega aos filiados a condição de espectador, e, para os eleitores em geral a condição de um idiota funcional.

As primeiras sabatinas e debates dos candidatos tem demonstrado que prospera nas elites políticas um vazio existencial deixado no rastro da corrupção que se generalizou no aparato estatal brasileiro, os projetos de poder dos partidos e coligações valem mais do que um projeto de nação. Em nenhum momento o programa de governo, o desenho institucional, ou ainda, a forma de planejar o futuro do Brasil foi destacada pelos candidatos. Apenas um deserto de ideias dispersas e disparatadas que transforma o eleitor em espectador desesperançado e desalentado com o futuro mandatário da nação.

Na turbulenta e desesperadora condição da economia nacional que continua apresentando estatísticas que deserdam os trabalhadores, os candidatos que se alinham no espectro da centro-direita, tratam de expor noções de Estado mínimo, redução dos direitos sociais, e, fundamentalmente retirada de investimentos em educação, saúde, segurança e saneamento. É a tal da eficiência de uma máquina que alimenta o sistema financeiro com juros polpudos, e, empobrece cada vez mais os seus concidadãos. A economia patina, com taxa de desemprego e informalidade se mantendo em patamares inaceitáveis para uma realidade sofrível de milhões de brasileiros.

Na centro-esquerda, a fragmentação em prol do exclusivismo do Partido dos Trabalhadores tentando salvar a herança retrospectiva dos governos de Lula e Dilma, propagará novamente a divisão para perda de hegemonia do discurso de inclusão social. A lógica de integrar uma base social excluída e marginalizada do progresso econômico pelo aumento do padrão de consumo naufragou. A ausência de uma política de redistribuição de renda não encanta mais o cidadão tragado pelo turbilhão da crise.

A situação socioeconômica brasileira continua inspirando cuidados, mas os candidatos vivem sua “valsa à beira do abismo”, com frases de efeito carecendo de “senso de realidade”, com diagnósticos imprecisos, sustentando posicionamentos para agradar os agentes de mercado. Os candidatos e suas coligações tratam os arranjos pragmáticos em prol de seu instinto fisiológico de sobrevivência, na base de troca de favores e loteamento de cargos antes mesmo da decisão final das eleições, é um caminho em prol da polarização das velhas estruturas alicerçadas em alianças conservadoras.

No cenário desértico que se transformou a disputa eleitoral, os brasileiros se veem atados na lógica de legitimar um “mal menor”. As reformas estruturais essenciais:  tributária, social e política, são esquecidas nos programas, mantendo a velha estrutura de castas corporativas associadas as elites político-empresariais na luta encarniçada para manter privilégios.

Por Eduardo Guerini