11 terça-feira , agosto , 2020
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Aporofobia da Elite Brasileira

Aporofobia da Elite Brasileira

A visão do brasileiro como vira-lata da história e lixo do mundo,  que retira a autoestima e a autoconfiança de todo um povo, só se tornou a ideia hegemônica entre nós porque se traduz em dinheiro e hegemonia política para a ínfima elite que nos domina há séculos. (Subcidadania Brasileira. Jessé de Souza,2018)

Os partidos políticos entraram em ritmo acelerado para compor as coligações e alianças eleitorais que disputarão a presidência da República. Todas as forças majoritárias no cenário partidário engendraram esforços em busca de tempo de TV, fundo partidário, na concertação da velha forma de fazer política, independendo da clivagem ideológica ou programática.   Nas cinzas ressurgiu o ramerrão de candidatos em torno de vestes novas em velhos figurinos, daí o renascimento do Centrão, a síntese da vanguarda do atraso da elite brasileira, trazendo em seu receituário, uma pitada do patrimonialismo, fisiologismo e clientelismo, num momento de crise de representatividade e legitimidade. O Brasil real continua paralisado diante do robusto cinismo que se estampou nos apoios de partidos e lideranças aos presidenciáveis.

Enquanto a conjuntura econômica é reconfigurada por mudanças nas expectativas para o crescimento do PIB, agora rebaixado pelo Banco Central, aos míseros 1,5%, o desemprego continua sua trajetória ascendente, com redução das vagas geradas em junho de 2018 (-661 postos de trabalho), atingindo praticamente todos os setores, exceto a agropecuária e serviços. No computo geral, as principais atividades econômicas geraram em 12 meses, apenas 280.093 postos de trabalho formais. A informalidade grassa, o salário médio de admissão continua sendo rebaixado, com redução de -9%, ou apenas, R$ 1.534,69, aquém do necessário, um salário de R$ 3.804,06, segundo DIEESE, para junho de 2018. É o nosso complexo de vira-lata que se expressa na condição miserável da maioria da população, enquanto as elites vivem se locupletando com assalto ao erário público, via renúncias e subsídios de toda ordem.

Na campanha eleitoral em curso, os candidatos dos principais partidos políticos, apoiados agora pelo conservadorismo pragmático do Centrão, evidenciam a necessidade de reformas estruturais, especialmente, a reforma previdenciária. Não bastasse o embuste da reforma trabalhista que não gerou mais do que expectativas, novamente a massa de miseráveis será chamada a “pagar a conta” do ajuste fiscal aprofundado no governo-tampão de Michel Temer. É a continuidade da aversão das elites aos pobres, que no ideário político se intitula de aporofobia.  Tal estratégia é disseminada nos governos conservadores, com apoio de partidos radicais de direita, lastreados na aversão aos setores mais vulneráveis das populações de imigrantes ilegais, estrangeiros, desempregados e informais.

Na tentativa de ganhar força junto ao eleitorado de direita-conservadora na republiqueta tupiniquim, as frases canhestras de alguns candidatos, as alianças funestas de algumas coligações, o pragmatismo dos liberais de ocasião, demonstram o “déficit de realidade” que povoa o senso de sobrevivência de muitos partidos e lideranças políticas. Na atual conjuntura recessiva de forças capazes de romper a inércia, os progressistas se acanharam, as lideranças populares (não populistas) se envergonham em traduzir esse homem político como dizia Hilda Hist, que não tem compaixão, que nos amordaça e inexoravelmente, nos leva a morte.

Eis um momento edificante para os verdadeiros líderes do povo não tratarem essa nação como uma paisagem de massa geografia!!!

Por Eduardo Guerini