22 segunda-feira , outubro , 2018
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Cavalo de Pau no Precipício Eleitoral

Cavalo de Pau no Precipício Eleitoral

“Ao redor de buraco, tudo é beira” (Ariano Suassuna. Ensaista e Poeta)

 

O clima eleitoral continua suscitando revisões dos agentes econômicos do sistema financeiro nacional e internacional. Nas rodadas de pesquisas eleitorais divulgadas a esmo na mídia nacional, os brasileiros brincam de dar “cavalo de pau no precipício”. Os resultados prospectados celebram a disputa entre um candidato manipulado por um ex-presidente preso na carceragem da Polícia Federal, implicando na substituição técnica por seu vice, e, um candidato no leito da UTI. A democracia brasileira continua refém de sistemas partidários carcomidos pela corrupção, pelo compadrio e patrimonialismo. Quando pretende se libertar da ancora que garantiria uma nova cidadania, autônoma e postuladora em direitos, a roda da história política brasileira insiste em girar para trás. Assim, rebobinamos o filme político, seguimos com propostas de reformas que apontam para retrocesso e barbárie. Nos últimos dois anos, pós-impeachment de Dilma Rousseff, a polarização associada ao fundamentalismo aumentou drasticamente, ferindo de morte a cidadania de uma parcela significativa de brasileiros.

Os indicadores socioeconômicos não param de desmentir o legado do desgoverno Michel Temer. O desejo de estancar a sangria promovida pela Operação Lava Jato, que desbaratou quadrilhas partidárias e empresariais em rumorosas transações, “um pacto oligárquico de saque do Estado” nas palavras de um supremo magistrado, é meio para se atingir o poder no Planalto Central brasileiro. A judicialização levou a criminalização da política, o caminho foi produzir candidatos que usam o ideário da antipolítica.  As ideologias foram deixadas de lado, o pragmatismo tomou conta das coligações, os programas passaram ao último plano. Afinal, os marqueteiros produzem os efeitos especiais da campanha novelesca que se exibe no horário eleitoral, com muita emoção e sentimentalismo, para que todos vibrem até o último capítulo no pleito eleitoral de 2018.

Os indicadores de desenvolvimento humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apontam para uma estagnação na melhoria dos índices de renda, educação e longevidade. O desemprego brasileiro somente perde para o Haiti. A previsão do crescimento do PIB para 2018, continua descendo lentamente para o patamar próximo ao pífio crescimento do ano de 2017. O governo continua paralisado esperando mais uma nova denúncia envolvendo Michel Temer e seus Ministros. A agenda de reformas econômicas continua aguardando o próximo inquilino do Palácio do Planalto, considerando o Congresso Nacional como avalista fiel de retrocessos já experimentados na famigerada reforma trabalhista. Na pressa de o “Santo Graal” do mercado, todos os economistas do centro para direita ajoelham e rezam pelo liberalismo. A centro-esquerda, fragmentada e desunida, lança propostas para apimentar o caldo entre deserdados, pobres, classe média e empresariado. Nada melhor que um empurrãozinho para o clima de tensão que se agravou no auge da crise econômica iniciada em 2014.

Neste tempo que o eleitor (que não se confunde com o cidadão), tem papel fundamental na decisão para escolha de representantes legislativos e governantes, o que se notabiliza nas pesquisas eleitorais, é uma crescente insatisfação carregada por desesperança e indefinição na escolha do melhor programa e candidato.  O cenário de fanatismo e exclusivismo sedimentou o terreno para escolhas movidas pela lógica da manada, por uma cegueira e idolatria coletiva reservada aos mitos e crenças. A encenação eleitoreira dos candidatos produzirá um novo estelionato eleitoral, num cenário de maior fragmentação partidária, com a desaprovação de uma maioria representativa que não poderá ser controlada por eleitores que não são considerados cidadãos.

Nesse eloquente banquete de insensatez movido por ódio e ambição, as qualidades extraordinárias que os políticos brasileiros requerem dos eleitores, resultará na aberração histórica que se repete de tempos em tempos na republiqueta Brasil: uma mesa farta para as elites político-empresariais se locupletarem com riquezas e veleidades, enquanto penosamente distribui migalhas para uma massa de lamuriantes e miseráveis.

Por Eduardo Guerini