24 sábado , outubro , 2020
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Cena cotidiana de um messias

Em meio a tanta desigualdade, de tamanha dificuldade para ter a dignidade de um emprego, de se imaginar que empregador sofre mais que empregado, surge o coronavírus, para mostrar que querendo ou não querendo, somos todos iguais.

Não somos só corpo. Somos inteligência, ou deveríamos ser. A China hoje se beneficia não porque “inventou” o vírus para lucrar, como alguns iluminados se manifestaram. Apenas colocou em prática seu aprendizado de outras tantas epidemias ou pandemias como queiram, pelas quais já passaram.

Tudo na vida é prevenção, dos cuidados num banho, no descer das escadas, ao atravessar as ruas, nos setores de exposição ao perigo no nosso trabalho, corremos o risco de acidentes, diuturnamente. E sempre são as crianças e os idosos que merecem maior atenção.

No que difere o COVID-19 do exemplo acima, todos podemos ser o agente de perigo, periculosidade ou de sinistralidade, o nome não importa, o que importa é a responsabilidade que o vírus nos obriga a ter.

Do mesmo jeito que a China agiu condenando a entrevista  Li Wenliang, médico  de 34 anos, que anunciou a existência de um novo corona vírus, foi infectado provavelmente pelo excesso de atendimentos a pacientes já contaminados, na cidade de Wuhan, fundamentalista religiosos seguem desdenhando a pandemia, colocando em risco a vida de uma nação, dada a aglomeração de suas pregações.

Seus fiéis serão vetores de contaminação. E a população, será mais rapidamente atingida. Não importa se rico ou pobre, embora com baixa letalidade, não haverá equipamentos suficientes para o número de pacientes, seja no SUS ou na rede privada.

Autoridades do mundo todo, até os mais reticentes, fazem campanha pela vida. Coitado daquele que, ao contrário do manifestado, foi aos abraços, selfies e cumprimento aos correligionários por ele convocado em manifestação contra os demais poderes da República.

Adaptando Bertolt Brecht, “Miserável país aquele que não tem heróis. Miserável país aquele que precisa de um messias.”

Oswaldo Augusto de Barros – Cnteec – Fepaae – FST